16/03/2012 – Franchising verde

Por Daniel Marcolino e Fernanda Mira

Pioneiro em todo o mundo, Programa Franchising de Baixo Carbono começa a gerar resultados para empresas, meio ambiente e sociedade.

Dezoito marcas de franquias se uniram em 2011 com um propósito: diminuir e compensar a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Principais vilões do aquecimento global, os GEE são gerados por meio do consumo de energia, gás, combustíveis e descarte dos resíduos sólidos e orgânicos. Esse consumo está amarrado às ações rotineiras das pessoas e das empresas e, por isso mesmo, é indispensável no dia a dia de qualquer cidadão e para a operação de qualquer negócio do franchising.

Essa realidade, no entanto, não significa passividade diante dos problemas ambientais. Para comprovar que cuidar do meio ambiente tem tudo a ver com boa gestão dos negócios e, principalmente, com economia de recursos é que o Programa Franchising de Baixo Carbono (PFBC) foi criado para as franquias brasileiras. Os resultados já começam a ser colhidos pelas marcas que apostaram na ideia da Afras (Associação de Franquia Sustentável).

Em 2011, a Afras decidiu implementar um piloto da PFBC em cinco unidades de cada marca participante, ou seja, em 90 unidades. Por intermédio da consultoria especializada Fábrica Éthica Brasil, as franquias passaram a inventariar os GEE gerados através do consumo de água, energia elétrica, efluentes líquidos e descarte de resíduos sólidos. Concluída essa etapa, o desafio agora é modificar a operação da franquia a fim de reduzir as emissões. O que não é possível reduzir na operação será devolvido ao meio ambiente por meio de reflorestamento das margens do Rio Xingu, no Mato Grosso, que já é feito pelo programa Y Ikatu Xingu, mantido pelo Instituto Socioambiental (ISA).

Reunidas, as 90 unidades de franquias das 18 marcas produzem duas mil toneladas de gases de efeito estufa por ano. De acordo com Eleine Bélaváry, diretora executiva da Afras, para sequestrar do meio ambiente esse volume é necessário o reflorestamento de 6,6 hectares de mata, o que representa pouco mais de 11 mil árvores. “Para que um hectare se torne floresta são necessárias cerca de 1.700 árvores adultas. E para essa quantidade de mudas vingar no meio ambiente é preciso plantar mais de 10 mil sementes. Mas o programa entusiasmou tanto os franqueadores que, em conjutno, decidimos plantar 15 hectares às margens do Rio Xingu, o que vai representar mais de 25 mil árvores nativas, compensando as retiradas da natureza”, afirma.

100% BAIXO CARBONO

Para o Grupo Multi, o PFBC é uma oportunidade para agregar aprendizado ambiental à proposta pedagógica de suas marcas. Uma delas é a Quatrum, rede de escolas de inglês para o público infanto-juvenil. Criada no Rio Grande do Sul, a Quatrum tem 17 unidades no estado. Recentemente, durante sua convenção, a rede decidiu utilizar as ações de redução da emissão de GEE como parte do trabalho de ensino-aprendizado de seus alunos. “A escola trabalha com o princípio do Living and Learning. Vamos adotar ações práticas, orientando os alunos a como reduzir as emissões no dia a dia”, afirma Claudio Tieghi, diretor de Responsabilidade Social da Multi. Tieghi também informa que todas as novas escolas que serão inauguradas já estarão adequadas ao PFBC.

Pertencente a outro setor do franchising, o de alimentação, a rede de cachaçarias Água Doce decidiu reduzir em até 40% a emissão de GEE até 2012. A meta é que, em dois anos, todas as unidades sejam franquias de baixo carbono. Outro compromisso assumido pela rede é o de realizar o descarte adequado do óleo de cozinha para a produção de detergente. “Já conseguimos até agora articular 40% da rede (42 unidades). Mas, para nossa surpresa, cerca de 80% das nossas cachaçarias já fazem a doação por conta própria, de modo que conseguiremos sistematizar 100% da rede rapidamente”, afirma Julio Adriano Bertolucci, diretor de franquias.

Já a Imaginarium encontrou no PFBC oportunidades de ampliar seu mix de produtos. A rede do segmento de presentes e decoração passou a ter como campeões de venda banquinhos de papelão, sacolas retornáveis e luminárias feitas de material reaproveitado. Tudo fashion, estiloso e 100% ecológico. Além disso, a rede passará a investir mais no programa Olha a Responsa, que visa a fornecer educação ambiental para os funcionários. “Pequenas atitudes podem trazer grandes resultados. No ano passado, obtivemos redução de 12% através dessa ação. Ao aderir ao PFBC pretendemos ampliar as ações ecoeficientes e oferecer aos nossos franqueados a redução de despesas”, afirma Girberto Carvalho, gerente de marketing da Imaginarium.

A busca de uma gestão sustentável está gerando uma competição saudável entre as empresas de franquias. Por enquanto, são 18 redes que aderiram ao modelo de negócio ecoeficiente, com inúmeras oportunidades de baratear a operação e de criar novos nichos de negócios. O PFBC formará um novo grupo de marcas que vão poder se beneficiar desse novo ambiente de negócios verdes. Essa será uma das raras competições de mercado em que todos sairão ganhando.

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