Por Francisco José Z. Assis
“Melhor do que inventar um produto que todo mundo use é fabricar um produto que todos usem, joguem fora e depois voltem para comprar mais.” (King Camp Gillette)

O melhor sonho de qualquer empreendedor é ver sua marca virar sinônimo do que fabrica. Poucos, ou melhor, pouquíssimos conseguem em suas melhores noites de sono imaginar que isso possa, de fato, acontecer. Pois não é que King Camp Gillette viu, aos 40 anos de idade, sua inquietude por buscar novas soluções para o cotidiano das pessoas se materializar em algo que todos conhecem pelo nome Gillette? Ou você pede ao vendedor “lâminas de barbear” quando vai ao mercado? Muito provável que não.
Essa história de sucesso começou em 1895, quando o norte americano de Winsconsin de sobrenome Gillette desenvolveu um aparelho de barbear. Sua intenção era criar algo descartável, que o consumir utilizasse, jogasse fora e voltasse a comprar. Algo que fosse mais prático que a tradicional navalha, instrumento que lhe serviu de inspiração. Cabe explicar: um dia, enquanto afiava uma navalha comum, teve a ideia de substituí-la por uma fina lâmina de aço com duas extremidades, colocada entre duas chapas e presa no lugar por um cabo em forma de “T”. Enfim, descobriu onde queria chegar. Criou um sistema de barbear durável e que fazia uso de lâminas descartáveis.
Já em Boston, Massachussets, no ano de 1901, Gillette se associou ao engenheiro mecânico William Nickerson e juntos montaram a Gillette Safety Razor Company para iniciar a fabricação em larga escala do revolucionário aparelho de barbear. O primeiro lote foi comercializado em 1903. Foram vendidos 51 aparelhos de barbear e 168 lâminas. No ano seguinte, em 1904, o êxito se confirmou. A venda subiu para 90 mil aparelhos e cerca de 12 milhões de lâminas.
Um marco dentro de evolução da empresa foi a estratégia utilizada para quebrar um paradigma da época e distanciar os homens das barbearias e incentivar que a barba fosse feita em casa. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Gillette enviou aparelhos de barbear aos soldados norte-americanos, que, com isso, aprenderam a fazer a sua própria barba. Outra importante ação de marketing aconteceu em 1939, quando a marca passou a figurar em eventos esportivos, o que não deixou de fazer até hoje, e ganhou simpatia do grande público consumidor.
O exemplo de King Camp Gillette ensina a persistir, a apostar na inovação constante, na criatividade, na autoconfiança como forças motrizes da empresa que busca a perenidade. Há muito tempo, a marca Gillette se tornou sinônimo de aparelho e lâmina de barbear.
Fonte: Revista Brasileira de Administração. Ano XXIII. Nº93. Março/Abril de 2013. Página 25.










